Entrevista com o grafiteiro DMS


No blog da SubsoloArt.com do Rio Grande do Sul eu achei essa entrevista com o grafiteiro DMS de Belo Horizonte.

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Qual sua idade, cidade/estado eo que você assina?
Este ano completo 29 anos. Sou de Belo Horizonte, Minas gerais, e assino DMS.

Por que você resolveu colocar esse nome?
São as iniciais do meu sobrenome e ao inves de criar um nome fiz uso do meu, como na época era usual siglas, justamente para não deixar claro quem era você.

Assina em crew? Se sim, qual eo que significa?
Já tive muitas crews, hoje prefiro nao levantar este tipo de bandeira. No principio assinava pelo “Os Formigas”. Depois teve a “BH Vandals Crew” (BVC), a ultima crew que assinei foi a “ETER”, mas durante anos pintei com os amigos Dalata , Hyper e MTS e não assinavamos crew, não tinha necessidade entende?

Desde que ano você viu que se envolveu com a arte de rua? Conte-nos um pouco sobre como foi o início, o que o fez buscar o graffiti?
Em 1998 eu ja andava de skate, e estava sempre nas ruas. Tinha muitos amigos envolvidos com pixaçao na escola municipal aonde estudei, como eu sempre desenhei, juntei o util ao agradável.
Nem sempre foi fácil, não tinha spray, não sabia manusear bem a lata, não tinha muita informação como hoje.
A polícia nao tinha conhecimento do graffite ,associavam sempre o spray a pixação (não que tenha mudado muito nos dias de hoje). Fui preso muitas vezes, assinei processos, mas cada vez que me deparava no muro da ignorancia, ao inves de perder forças ganhava vontade de fazer mudar a cena na minha cidade.

Como foi o processo de evolução para seu estilo, quais são suas inspirações em seus trabalhos?
O processo é continuo, ainda estou aprendendo e amadurecendo a cada dia ,eo meu trabalho reflete aquilo que sou. Mas hoje temas espirituais me inspiram bastante.
Antes era tudo muito experimental, depois que vim para a Italia me confrontei muito com a ideia de religiao x espiritualidade, que são coisas que caminham juntas, mas tem distintos valores.
Comecei a aprofundar e estudar ainda mais sobre, enquanto isso meu trabalho foi refletindo meus pensamentos, tinha que ser coerente diante meus pensamentos. Mas o mundo fantastico, aquele velho mundo de fabulas sempre me inspirou muito, e aos poucos crio meu universo.
Não consigo estar parado, estar em constante movimento, para mim sempre foi importante, as vezes uma coisa puxa a outra e quando você ve, outra mudança acontece.

Aonde e qual foi a oportunidade de trabalho em que mais lhe trouxe satisfação, em que viu que seu trabalho estava realmente sendo reconhecido?
Não saberia dizer ao certo,mas acho que esta ultima exposição que fiz (Toda vida é sagrada) aqui na Italia foi bem legal.
Foi a convite da prefeitura em uma das principais galerias da cidade. Eu, um estrangeiro em epocas dificeis (a Italia é um pais dividido,existe ainda muita xenofobia aqui), conseguir esta vitrine foi muito gratificante.
Mas fiz trabalhos comerciais variados no percurso dos anos, trabalhos muito satisfatorios, mas igual estar na rua com os amigos, produzindo aquele painelzão pra cidade não tem preço que pague.

Estou enganado ou você antigamente era mc? Conte-nos um pouco sobre seus projetos passados e presentes, e como foi o percurso para chegar aonde está..
É verdade, tive alguns grupos, sempre em BH, alguns duraram outros apenas começaram e ja acabaram.
Teve “Us Piratas”, “Ponta Pronta” e “Casa B”, dentre outros subprojetos que nasciam de dentro dos grupos.
Sempre tentando fazer uma mistura de instrumentais organicos e samplers. Tocar com banda (bateria, guitarra, baixo, sopro e metais) sempre foi otimo, mas como tinhamos sempre muitos Mc’s envolvidos, deu bagunça.
As duas ultimas tinham um conteudo muito poetico e pouco social.
Ensaiei uma carreira solo, mas estacionei no primeiro intervalo, comecei a dedicar as artes visuais de tal forma que fui deixando de lado a musica. Na verdade, creio que depois que mudei pra Italia, as coisas esfriaram para mim.
Sem tempo, meu filho nasceu, precisei trabalhar de forma mais madura minhas pinturas, estava longe dos estudios de musica, ninguem aqui entendia o que eu falava.
Acho importante transmitir uma mensagem no RAP
Ainda nao aprendi a cantar em Italiano, rsrs.
Mas estou para voltar heim? rsrs. Quem quiser conferir alguma coisa ta la no www.myspace.com/dmsdavox

Graffiti de Dalata, DMS e Hyper

Diga os nomes de quem mais você admira e se identifica nos rolês.
Admiro e respeito muitos escritores, me identifico com muita gente por ai. Mas com Dalata, Mts e Hyper fizemos muitos trabalhos juntos que criou uma sintonia na epoca muito boa.
Impossível não citar Os Gemeos como referencia de dedicaçao a arte, ou o Binho 3M, entre tanta gente boa que tem por ai, tanto da velha,quanto da nova escola.
Por falar em nova escola, tão arrebentando tudo mundo afora. Muita qualidade pelo mundo todo. Basta dar uma voltinha na internet para se surpreender um pouco e trabalhar a humildade.

Você vive de sua arte, certo? Se sim, afinal, em sua visão como é poder viver da arte?
Vivo de arte, não é facil, mas é possivel, precisa ser versatil, fazer de tudo um pouco. Hoje a arte grafica, computador e essas coisas são imprecindivel.
Ter muita paciencia e profissionalismo é importante. As vezes se ganha bem, as vezes ganha pouco. Não é facil quando se decide ser autonomo.
Mas a satisfaçao de fazer algo que você goste e ama não tem preço. Digo isso se você é autonomo, lógico. Se trabalha com um grupo ou uma agencia, as coisas mudam um pouco.

DMS fazendo painel de graffiti

O que você acha que um bom artista de rua precisa ter, para ser bem sucedido em seu meio?
Eu acho(não tenho certezas, pois ainda não me vejo neste circulo) que antes de tudo, precisa ter originalidade.
Depois vem uma serie de fatores que ajudam um artista, como humildade, perseverança, contatos, etc.

Desde que você começou, até agora, o que mais mudou eo que continua na arte de rua?
Vivemos em tempos que as coisas acontecem de uma forma muito rapida, a arte de rua saiu daquela posição periferica e chegou a ganhar respeito como forma artistica, ganhou valores e perdeu outros. Hoje a variedade e qualidade artistica é uma coisa assustadora.
Temos estilos variados de uma forma nunca vista antes. Mas as raizes persistem, cultura de trem, throw-up, revitalização de espaço abandonado, etc.

Qual época você mais curtiu dar roles? Porque?
De 2004 a 2009 produzimos grandes paineis na cidade de Belo Horizonte, ea união e sintonia da turma criaram momentos inesqueciveis. Pintar era so uma desculpa pra ficar na rua, fazendo bagunça juntos. Quase na grande maioria ilegais, e era sempre de madrugada (o anjo da guarda trabalhou bem naquela época), a gente se encontrava la pelas 23:00 e ficavamos no muro ate 10 da manha do dia seguinte. Teve muros que ficamos 24,ate 32 horas sem parar.
Teve momentos que quando chegava o proprietário a gente ainda estava lá, pintando, mas a aceitação era boa porque a nossa intenção era boa.
A relação com a população também foi de grande aprendizado nesta epoca. Burlavamos ate a polícia e cameras de segurança, com faixas zebradas, aquela que fazem uso guardas de transito,
coletes da prefeitura, cones de transito, ea cara de pau também era de grande ajuda, porque fazia parecer ser autorizado.

O que, em sua opinião vem a ser o graffiti? … Ele é legal, ilegal, bonito, feio, da rua, da galeria… o que você acha de todos estes “suportes” e “características” que são derivados do mesmo?
Olha, eu penso que graffite seja rua, isso pra mim não existe duvidas.Se manifesta de formas diferentes ,seja um painel ou um throw-up, mas sem vinculo trabalhista.
Galeria, tela, trabalho comercial, você esta fazendo uso de uma tecnica, tecnica do graffite. É diferente, tem que saber diferenciar as coisas,
mas sistematizar demais tambem não é necessario, basta que seja arte, rs. Independente de qual seja o suporte.

Quanto a pichação, qual a sua opinião em relação a esta arte de rua?
Ow, meu ponto de vista sobre este assunto é positivo. Vejo como necessária essa manifestação. Acho que são evidenciadores na sociedade, evidenciam buracos no sistema, a insatisfaçao de um povo, corrupçao, etc. Sem contar que nasceu uma cultura disso ai.
Cheguei a fazer palestras aqui na Italia, e dei o nome de linfonodo inflamado, que seria a íngua, de um grande corpo, que é a cidade.
Evidenciando somente problemas mais profundos da sociedade.
Enquanto os governantes forem corruptos eo bem de todos for segunda opção, dentre outros fatores, continuara as pixações nas grandes cidades.

Qual o pior erro para um grafiteiro?
O plágio.

O que você diria para os que estão começando agora? Deixe um recado para quem está lendo esta entrevista.
Uai, não desista, insista, mas faça por amor, não por fama ou dinheiro, faça por que teu instinto diz que deve ser feito.

Mais sobre os trabalhos do grafiteiro DMS em: http://www.flickr.com/photos/demelosantos/sets

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